Publicado em 01 de agosto de 2019

ECONOMIA - Micro e pequena indústria paulista tem alto patamar de inadimplência

Com alto patamar de inadimplência, a micro e pequena indústria do Estado de São Paulo reporta ausência de medidas de impacto para reaquecer a economia e melhorar demanda no curto prazo.

“De abril para maio, a inadimplência subiu de 34% para 44%. Em junho, houve um pequeno recuo para 42%. Também chama atenção que 25% das empresas estão usando cheque especial, o que deve agravar mais ainda a situação”, apontou o presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (Simpi), Joseph Couri.

Os dados são referentes ao indicador de atividade da micro e pequena indústria de São Paulo de junho, encomendado pelo Simpi. O levantamento mostra que 25% das empresas tomaram calotes que representam até 15% do faturamento. “Você tem inadimplência nas duas pontas, no recebimento e no pagamento”, destaca Couri.

Entre maio e junho, o Índice de Satisfação das MPI’s, que contempla satisfação geral com o negócio, satisfação com o faturamento e satisfação com o lucro, passou de 104 para 103 pontos. O índice no mesmo período de 2018 era de 89 pontos, mas foi registrado sob impacto da paralisação dos caminhoneiros.

Couri avalia que, após um início de ano otimista, houve uma frustração com a ausência de uma retomada econômica. “No início do ano, havia 78% das micro e pequenas indústrias acreditando em uma melhora. “O tempo foi passando e o setor caiu na realidade. A reforma da Previdência vai fazer o País parar de sangrar nos próximos anos, mas nada que afete o caixa de imediato.”

O dirigente assinala que há um cenário de fechamento de empresas, desemprego, dificuldade de crédito e inadimplência elevada, que configuram um ciclo recessivo. “Há uma tentativa do governo federal de tomar medidas para aquecer a economia, mas nada de impacto. Mesmo se ocorrer alguma iniciativa do tipo, demoraria de três a quatro meses para chegar à ponta. Assim, não deveremos ver uma mudança profunda de cenário nesse ano.”

Ele ressalta que, historicamente, o segundo semestre sempre é melhor que o primeiro. “Deveremos ter um desempenho um pouco melhor, mas nada que seja uma mudança de cenário em função de medidas macroeconômicas.”

Para Couri, a forma de mudar essa situação é promover imediatamente o aquecimento econômico. “Se o governo fizer, vai arrecadar mais, criar empregos e girar a economia. Isso poderia ser feito com investimentos em infraestrutura e negociações de exportações, por exemplo.”

Concentração

Outro dado que ilustra o cenário de crise é o aumento percentual de micro e pequenas indústrias que restringem atendimento e vendas na região em que estão localizadas De acordo com a pesquisa, as empresas se tornaram mais locais ao longo dos últimos três anos, diminuindo a participação nos outros estados brasileiros. “Em 2016, 53% das MPIs tinham negócios diretos ou indiretos em outros estados. Esse número caiu para 43% em 2019”, conta Couri.

Para a entidade, uma das possíveis causas é o crescimento das vendas diretas ao consumidor final. Em 2016, 51% das empresas da categoria vendiam principalmente para o consumidor final, e na sequência apareciam comércio e distribuidores (25%) e outras indústrias (19%). Atualmente, a taxa dos que vendem diretamente para o consumidor final subiu para 61%, e caiu para 20% a dos que negociam com distribuidores e comércio.

Fonte: DCI


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