Publicado em 17 de abril de 2019

ECONOMIA - Média de compra do brasileiro cai 1,3% e afasta retomada do varejo para 2019

No primeiro bimestre os consumidores que frequentaram supermercados levaram 5,2% menos itens que em igual período do ano passado, frequência de compra também teve retração de 2,2%

A perspectiva de retorno da confiança do consumidor em 2019, tida como essencial para que a retomada econômica se firmasse, segue longe de acontecer. Ainda receosos com o futuro do País, o brasileiro raciona compras no supermercado, tanto com menos itens na cesta quanto no número de vezes que visita o varejo.

Os dados fazem parte do levantamento Consumer Thermometer, elaborado pela Kantar. De acordo com o estudo houve queda de 1,3% no número de produtos comprados nos 12 meses terminados em fevereiro.

O comportamento, que sinaliza o pé atrás do consumidor, estimula a cautela também no varejo, que diminuiu as compras da indústria e corrobora com uma perspectiva de crescimento inferior a 2% no PIB do Brasil em 2018, como já sinalizado por empresas de monitoramento da atividade econômica nacional.

Exemplo disso foi reportado pela rede goiana de supermercados Armandinho. Segundo o diretor comercial da empresa a cautela é generalizada. “Havia a perspectiva de um Natal forte que não se concretizou, de lá para cá, o que sentimos é que o estoque precisa girar em torno dos itens de necessidade básica”, contou ele.

Como resultado, o indicador da Kantar revela que houve redução de 0,5% na frequência de compras e 3,3% no volume médio levado por visita.

Quando analisado o acumulado dos dois primeiros meses do ano, o declínio de unidades chega a 5,2%, sobre um ano antes. A frequência e volume por viagem também se destacaram negativamente, com diminuição de, respectivamente, 2,2% e 5,7% no período. No recorte dos três meses até fevereiro de 2019, os índices negativos se repetem (veja mais informações no gráfico).

Todo mundo em alerta

Ainda que as dificuldades financeiras pareçam mais graves entre as parcelas menos abastadas da população, o indicador aponta que a queda se deu com maior força nas classes A, B e C. Em 12 meses até fevereiro só as classes D e E conseguiram ligeiro aumento (1,6%). Na análise regional, o Interior de São Paulo se destacou negativamente (-10%).

Em relação aos canais, o atacarejo ainda é destaque, com o porta a porta perdendo espaço. Hipermercados, supermercado de conveniência e supermercado de vizinhança também acumularam quedas. “A força do atacarejo ainda é grande, o que pode sinalizar outro ciclo deficitário para os hipermercados”, diz o consultor de varejo, Henrique Matias.

Na análise das cestas, o Consumer Thermometer aponta que alimentos, bebidas, lácteos, limpeza e higiene e beleza perderam penetração. “O cenário atual tem como protagonista um consumidor que, ainda em meio às incertezas políticas e econômicas e também impactado pela alta taxa desemprego, precisou retrair as compras”, analisa a diretora de marketing e Insights da Kantar, Giovanna Fischer.

De acordo com ela, outro problema é a falta de crédito. “Os consumidores continuam endividados, o que afeta ainda mais o potencial de consumo.”

Ainda que haja esforço do governo para tentar trazer ao brasileiro uma sensação de normalidade, estimativas de mercado dão conta da possibilidade da primeira retração do PIB trimestral desde 2016. “Após a divulgação da prévia do PIB nos primeiros meses do ano e possível que o País enfrente um trimestre negativo e isso é puxado pela atividade menor que a esperada para comércio e serviços”, afirmou o economista e ex-técnico da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Francisco Tatti.

Em um efeito bola de neve, é possível que os varejistas adiem, mais uma vez, seus planos de expansão. “Sem consumo não há planos de abrir vagas no varejo, sem empregos o consumidor manterá a trajetória de contração das compras.”

Para ele, além de lançar um programa de fomento ao emprego, cabe ao governo tentar criar alternativas para tentar reduzir o endividamento do consumidor para que ele possa voltar a planejar a vida financeira e retomar as compras.

Fonte: Diário do Comércio


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