Publicado em 25 de março de 2019

ECONOMIA - Dólar tem maior alta em 22 meses e vai a R$3,90, com exterior e incertezas sobre Previdência

O dólar disparou nesta sexta-feira, fechando em alta de quase 3 por cento, no maior avanço diária desde maio de 2017, em meio a crescentes temores de piora nas articulações para a reforma da Previdência e a um dia de perdas no mercado internacional.

O dólar à vista fechou em alta de 2,69 por cento, a 3,9022 reais na venda.

É a maior valorização diária desde 18 de maio de 2017, quando a moeda disparou 8,15 por cento, após terem sido divulgados por executivos da J&F áudios do ex-presidente Michel Temer, preso nesta semana.

O patamar alcançado agora é o mais alto desde 26 de dezembro de 2018 (3,9215 reais).

Na semana, o dólar acumulou apreciação de 2,14 por cento.

A forte demanda pela moeda norte-americana refletiu a piora da percepção do ambiente político para aprovação da reforma da Previdência. Assim, o mercado receia que se leve mais tempo para aprovar a mudança nas regras de aposentadoria e que o texto final fique mais diluído, acarretando menor economia fiscal.

O salto do dólar em maio de 2017 resultou do entendimento de que a reforma da Previdência não mais teria espaço para ser aprovado, devido à crise política que se instalou no governo. Para piorar o humor do mercado, os ativos de risco no exterior --incluindo moedas de emergentes-- tiveram fortes perdas, diante de preocupações com o ritmo da economia mundial, intensificadas pela inversão da curva de Treasuries. A lira turca caía mais de 6 por cento ante o dólar, enquanto o peso mexicano e o rand sul-africano também eram fortemente golpeados. "O fato é que mesmo quando o noticiário aqui era positivo, o real não conseguia descolar tanto de seus pares. Então num dia mais negativo acabamos sentindo mais, especialmente com essa piora de humor local", disse Roberto Campos, gestor de câmbio da Absolute Investimentos. Além disso, muitos fundos recentemente elevaram posições compradas (apostando na alta) da moeda brasileira. Com o aumento dos riscos, essas instituições reduzem essa exposição, o que implica venda de reais (ou compra de dólares).

"A exposição em real continua muito alta", disse em nota Athanasios Vamvakidis, estrategista de câmbio do Bank of America Merrill Lynch. Segundo ele, a posição "acima da média do mercado" na divisa brasileira é a mais elevada desde maio de 2017, início de sua série histórica.

Fonte: Portal Contbeis


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