Publicado em 31 de agosto de 2021

DINHEIRO - Como os grandes investidores pensam?

31/08/2021
Brasil
Administradores

Existem muitas teorias sobre os métodos dos grandes investidores e até mesmo de como eles tomam decisões. Apesar de toda a parte técnica e de análise, acredito que existe também algo no modo de pensar das pessoas que obtêm sucesso em seus investimentos. Eles parecem agir de forma diferente da maioria, e dificilmente tomam decisões na "emoção", mas por que isso os difere de todos os outros?

Acontece que o nosso cérebro costuma reagir de forma intuitiva aos estímulos externos. Já lhe aconteceu aquela sensação de saber o que irá acontecer? Então, muitas vezes nós entramos em "armadilhas", acreditando que estamos seguindo nossa intuição simplesmente porque ela já funcionou em determinado momento. Porém, nem todas as situações são iguais, por mais que se pareçam.

Se eu lhe fizer uma pergunta simples, como por exemplo: "Quanto é 2 + 2?", você instintivamente responderá "4", sem grandes esforços. Você não precisou dedicar muita energia e concentração para chegar a esse resultado, pois quem disse isso a você foi o que é conhecido como "sistema 1".

Daniel Kahneman é um psicólogo que ganhou o prêmio Nobel de economia. Sim, você leu corretamente, ele é psicólogo e o prêmio é referente ao setor financeiro. Ele é um teórico da economia comportamental, e a partir disso justifica grande parte das decisões dentro do mercado financeiro baseado nos comportamentos humanos.
Daniel escreveu o livro "Rápido e Devagar", onde retrata dois tipos de comportamento das pessoas, o rápido (sistema 1) e o devagar (sistema 2). Comecei o texto retratando como nosso poder de intuição e até nossos instintos em resolver questões simples se comportam.

O problema é quando utilizamos os sistemas para situações erradas. Algumas questões na nossa vida estão "disfarçadas" de situações simples, mas são na verdade "pegadinhas". Trazendo um outro exemplo: "Um taco e uma bola custam juntos R$ 1,10 e o taco custa R$ 1,00 a mais que a bola. Quanto custa a bola?" Você pode até acertar a resposta, porém é provável que uma "voz" na sua cabeça lhe disse um número imediatamente, antes mesmo de você chegar na resposta. Se eu fosse tentar adivinhar, diria que o primeiro número que veio na sua cabeça foi R$ 0,10. Quando na verdade a resposta correta é R$ 0,05.

Isso é o seu sistema 1 tentando reagir a questões para as quais é necessário parar e pensar um pouco mais antes de chegar à resposta. Essa função é atribuída ao sistema 2. Trata-se de um sistema mais lógico, que é devagar, menos impulsivo e deve ser o campo em que precisamos atuar para tomar decisões mais sérias. Seja em uma negociação, discussão ou até mesmo em um investimento.

Acontece que boa parte das pessoas simplesmente reage às oscilações do mercado tratando como lógicas questões que apenas parecem ser óbvias, mas não são. Quando um investidor faz isso, ele usa o seu sistema 1, e reage de forma rápida para decisões às quais seria necessário gastar mais energia e tempo refletindo antes de agir. Os "grandes" não pensam assim.

Me recordo que há alguns anos estava conversando com um amigo que é um grande investidor profissional e presenciei ele se desfazendo rapidamente das suas posições após uma inesperada crise política no nosso país. Tratava-se de uma pessoa experiente, que admiro, e quando questionei o motivador da decisão, ele não soube justificar em uma frase racional e apenas se referia ao seu instinto. Acontece que gestores experientes não tomam decisões no "olho do furacão".

Geralmente essas pessoas esperam a poeira baixar para entender qual caminho seguir. Provavelmente aquela mesma pessoa que citei não teria tomado aquelas decisões se não estivesse pensando rápido. O resultado é que os 3 dias seguintes àquele episódio realmente foram conturbados, mas uma semana depois as coisas já haviam se estabilizado e em dois meses todas as aplicações já estavam no positivo.

Acontece que quando falamos de investimentos é necessário tirar as emoções de lado e colocar o nosso sistema 2, o sistema devagar, para trabalhar a nosso favor. Não podemos confiar em nossas emoções ou intuições. Os investidores experientes trabalham com a parte lógica, estudam antes de tomar decisões e as fazem gradativamente, definindo tempo para cada uma das suas estratégias.

Quando você monta uma estratégia é importante que se mantenha fiel a ela. Caso você realize uma aplicação para longo prazo, por exemplo, não precisa olhar a cota dos fundos todos os dias, pois isso só vai fazer com que você fique tentado a fugir da sua estratégia na primeira instabilidade.

Procure especialistas para ajudá-lo, os grandes investidores também não tomam decisões sozinhos. Juntando-se a pessoas diferentes e especializadas no assunto, você pode trocar ideias e fugir ainda mais do instinto reativo, assim consegue tomar melhores decisões.

 

 

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