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Investimentos privados devem ser retomados a partir do ano que vem

São Paulo - Representantes setoriais e especialistas acreditam que haverá uma retomada dos investimentos no ano que vem, mas não o suficiente para compensar as perdas de 2014. Mas preveem que "os frutos serão colhidos em 2016".



Na última sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) recuou 8,5% no terceiro trimestre de 2014, com relação ao mesmo período de 2013, influenciada pela queda da produção interna (de 1,5%) e da importação de bens de capital, além do desempenho negativo da construção civil (queda de 5,3% no período).



A FBCF se refere aos investimentos do setor privado em bens de capital - basicamente máquinas, equipamentos e material de construção.



O indicador é importante porque revela a capacidade de produção do País e se os empresários estão confiantes no futuro.



Contudo, José Velloso, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), resume este ano como "péssimo" para o setor.



"O consumo aparente de máquina e equipamentos no Brasil, isto é, o que se fabrica aqui mais importações, recuou 16% ante 2013. O faturamento apresentou queda de 15,5%, mas as exportações cresceram 10%; o que justifica essa dicotomia é que as vendas no mercado interno diminuíram 29%. Ou seja, o mercado interno praticamente desapareceu. E tudo isso ocorreu porque faltam investimentos, falta FBCF", explicou Velloso.



Da mesma forma, Fábio Pina, assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), avalia que o modelo adotado pela atual gestão, de incentivar o consumo está perdendo força. "Com isso, investimentos pararam. Aqueles que pensavam em expandir sua loja ou ampliar suas unidades não o fizeram este ano. É só observar na Rua Oscar Freire [ponto comercial nobre de São Paulo], existem várias lojas lá para alugar. E isso se reflete na FBCF", aponta o especialista.



Por outro lado, na comparação com o segundo trimestre os investimentos subiram 1,3%, depois de uma sequência de quedas nos últimos três trimestres, o que foi importante, junto com o consumo da administração pública para a ligeira alta de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) nessa base de comparação.



Patrícia Pereira, gestora de renda fixa da Mongeral Aegon Investimentos, comenta que, nessa comparação e ao verificar que no segundo trimestre contra igual período de 2013 a queda havia sido de 11,2%, é possível prever que "o pior parece que já passou". "Mas não é suficiente para compensar o resultado negativo dos primeiros trimestres do ano", disse.



No acumulado dos quatro trimestres até o terceiro, a FBCF está negativa em 7,4%, enquanto em igual período de 2013 apresentava avanço de 5,6%, segundo o IBGE.



Os especialistas são unânimes em afirmar que a nova equipe econômica anunciada na quinta-feira passada deve aumentar a expectativa dos investidores, o que deve ser positivo para a economia em 2015.



Isso se o novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em conjunto com o novo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, focar no controle dos gastos públicos para combater a inflação e, assim, elevar a competitividade do setor privado. Porém, eles concordam que como o ano que vem será um período de ajustes fiscais e econômicos, os efeitos serão sentidos em 2016.



PIB em 2014



Por meio de nota, o governo afirmou que o avanço de 0,1% mostra que a economia entrou em processo de retomada do crescimento, embora em ritmo ainda modesto. "Os indicadores antecedentes e coincidentes sinalizam a continuidade dessa trajetória de melhora no quarto trimestre. A retomada do investimento é fundamental para que o crescimento econômico se acelere e tenha sustentação ao longo do tempo", disse o Ministério da Fazenda, ainda sob o comando de Guido Mantega. De janeiro a setembro, a economia cresceu apenas 0,2%.











Texto confeccionado por: Fernanda Bompan


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