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Metas irreais prejudicam empresas

A ambição das empresas por resultados miraculosos leva a grandes percalços. O mais comum é o estabelecimento de metas surrealistas e sua extensão a todos os funcionários da empresa. Ao passar objetivos que, expostos ao bom senso, mostram-se inatingíveis, o gestor compromete sua credibilidade perante todos na corporação. Já os executivos sentem-se desestimulados, pois, cumprir ou não as metas que não têm sentido não faz diferença. Há desestímulo geral, o que compromete o planejamento estratégico da empresa como um todo.





Parece absurdo, mas esta é justamente a realidade com que temos nos deparado como consultores. O contato constante com gestores de grandes e médias empresas de nove estados brasileiros mostra, de forma empírica, que os gestores entrevistados consideram os objetivos traçados como inalcançáveis.





Quando questionamos se as metas eram ou não reais, a resposta mais comum foi "às vezes", pois a maioria lida diariamente com metas que podem ser realizadas e outras totalmente fora de controle. Ora, a inconsistência entre o que é viável e o que é desejado prejudica a gestão como um todo. Qual o estímulo que um executivo tem ao "tentar alcançar o inalcançável"?





Nesse contato com os executivos, nota-se que um em cada cinco consultados criticam o realismo de suas metas. Ainda assim, a maior parte deseja participar da definição e dos objetivos traçados.





Desta forma, fica clara a necessidade de um maior engajamento do alto nível da empresa, que deve observar o que pode ou não ser realizado em determinado período. Após se estabelecer algo razoável - até ambicioso, mas necessariamente razoável -, as metas devem ser repassadas aos níveis gerencial e operacional. Somente com o envolvimento de todos é possível ir à frente, mesmo que o objetivo pareça inalcançável num primeiro momento.





O quadro torna-se mais desafiador quando olhamos a conjuntura atual, em que a retração econômica força as empresas a demitirem funcionários. A ordem no momento é aumentar a produtividade e cortar custos. Mas para que isso ocorra, sem perda de confiança por parte dos funcionários ou sob o risco de tomar decisões equivocadas, é preciso ter o controle das metas e de como atingi-las.





O momento atual exige um plano de contingência que garanta a sustentabilidade dos negócios. Dessa forma, torna-se essencial que empresas de todos os portes busquem ter uma gestão de indicadores que contemple o corte de supérfluo e garanta metas reais. A conjuntura já impõe desafios demais para que as equipes sintam-se perdidas na busca pelo inalcançável.


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