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Você possui consciência crítica?

Tenho passado grande parte da vida entrevistando e avaliando profissionais de todas as idades, sexo e nacionalidade nos 40 anos de exercício na nobre atividade de headhunter.



Nessa missão de toda uma vida, acompanho a evolução de carreira de executivos e executivas, e neles observo a evolução do conhecimento instalado, o crescimento de competências resultantes do enfrentamento de desafios e o aproveitamento das redes de relacionamento gerado por experiências profissionais e pessoais compartilhadas.



Ao longo desse tempo, tenho notado também as competências que frequentemente faltam aos brasileiros. Uma delas, rara de encontrar e não é de hoje, vou chamar de consciência crítica.



Essa habilidade permite às pessoas que a têm tomar posições firmes diante dos dilemas da vida, fazer julgamentos precisos e dar opiniões claras quando necessário.



Não me refiro aqui àquela falsa força das pessoas que dizem o que pensam com contundência, sem nem medir os danos que uma frase mal colocada pode causar. A consciência crítica é fruto de uma rara combinação de conhecimento e sabedoria — duas coisas diferentes. Talvez, por isso, seja difícil de encontrar.



O conhecimento são os recursos que temos e usamos para fazer um diagnós­ti­­­­co. Precisamos separar fatos de opiniões, usar modelos mentais que facilitem a organização de informações e ser cuidadosos com os detalhes. Antes de fazer uma crítica, precisamos desse diagnóstico bem-feito.



A sabedoria contribui para a elaboração da síntese, que é a conclusão de nosso raciocínio e a maneira como expressaremos a crítica consistente e, de preferência, construtiva.



Minhas observações do cotidiano de profissionais brasileiros mostram que, muitas vezes, exatamente por não ter desenvolvido sua consciência crítica, a pessoa não assume nem defende posições, não opina quando perguntada e se esconde atrás de uma falsa postura educada, para não fazer um julgamento sobre um fato ou sobre uma atitude.



Concordo que um traço forte da cultura brasileira é a busca da harmonia, mas ela não pode e não deve ocupar o espaço de posições firmes, de posturas íntegras e do prazer de assumir e defender uma causa. O pior arrependimento vem sempre da omissão e raramente da ação.



Texto confeccionado por: Luiz Carlos Cabrera 


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