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Crise pode ser um bom momento para qualificar os serviços

Acostumados a realizar e acompanhar o desempenho das empresas dos mais diferentes segmentos empresariais, é chegado aquele momento do ano em que muitos contadores fazem um balanço da sua atividade profissional, da sua empresa e do serviço prestado à sociedade.



O Dia do Contador, comemorado nesta sexta-feira, 22 de setembro, é, para muitos, hora de refletir sobre tudo o que foi feito ao longo do ano e sobre as mudanças nas exigências que pesam nos ombros dos profissionais. A partir desse balanço, é possível analisar os dados e gerar informações qualificadas e úteis para a tomada de decisões - desta vez, relativas ao gerenciamento da própria carreira. Neste ano, a data é marcada, ainda, pelo novo projeto gráfico do caderno JC Contabilidade, um presente a todos os profissionais contábeis nesta semana de comemorações. O suplemento completa 15 anos de relacionamento estreito com os contadores e a sociedade gaúcha, e de compromisso com a veiculação de informação qualificada e especializada.



Em 2017, o País ainda vive uma situação política e econômica instável. Os escândalos de irregularidades envolvendo os setores público e privado, que levaram o já conhecido "jeitinho brasileiro" a um outro patamar, expõem a necessidade de mudanças no ambiente empresarial. Paralelamente, a crise econômica enfrentada pelos brasileiros apenas recua. Não cessa. Agora, como diz o empresário contábil e presidente do Sescon-RS, Diogo Chamun, a retração chega à prestação de serviços, setor que inclui os profissionais contábeis. "O primeiro segmento atingido foi a indústria, depois o comércio sentiu e, agora, é a vez do setor de serviços. Estamos no meio da crise. É o momento de se aproximar dos clientes e negociar, se repaginar", avisa Chamun. A expectativa, no entanto, é que a recuperação comece já a partir de 2018. O presidente do Conselho Regional de Contabilidade (CRCRS), Antônio Palácios, acredita que é na época de crise que surgem as maiores oportunidades. "Quando há escassez de recursos e cada movimento é decisivo, os empresários não podem se dar ao direito de tomar atitudes erradas. O contador é quem tem a capacidade de dar alternativas para que os gestores tomem decisões com foco", pontua Palácios.



Ainda que assuste, a conjuntura atual não pode, portanto, paralisar o contador, que se mantém entre os 15 mais requisitados pelo mercado, conforme levantamento da empresa especializada em recrutamento e seleção para média e alta gerência, Wyser, divulgado neste ano. É exatamente na hora de rever gastos, repensar a estrutura das empresas, implementar ferramentas de controle e compliance, ou se preparar para o Imposto de Renda ao longo do ano, que o trabalho do contador pode ser ainda mais importante. A contadora e vice-presidente de Gestão do CRCRS, Ana Tércia Rodrigues, destaca que o mercado empresarial vem mudando e irá se alterar muito mais. "Nós temos expectativa de que, nos próximos cinco anos, tudo seja feito de forma mais rápida, dinâmica, simplificada do que vem sendo feito hoje", aponta. A ligação estabelecida entre escândalos recentes e a área de Ciências Contábeis, seja através da "contabilidade criativa" ou da sonegação de impostos, entre outros crimes praticados por empresários e gestores públicos, continua preocupando os especialistas.



Como resposta a isso, o ano de 2017 foi marcado, ainda, pelo avanço nas discussões de uma nova norma para o código de ética da categoria. A Resposta ao Descumprimento de Leis e Regulamentos, ou Noclar (sigla em inglês para Responding to Non-Compliance with Laws and Regulation), permite que o contador informe aos órgãos competentes inconformidades ou ilegalidades encontradas nas empresas e demais entidades para as quais presta serviço. O Código de Ética Profissional do Contador brasileiro prevê, em seu segundo capítulo, o direito a não reportar irregularidades caso as autoridades não o solicitem. A Noclar prevê inicialmente a comunicação com os responsáveis pela governança da entidade para que tomem as devidas providências para correção da situação. Caso não sejam tomadas as providências, aí, sim, o profissional deve fazer a avaliação quanto à comunicação e a quem comunicar entre as autoridades. Por esse prisma, a Receita Federal atua como uma parceira na otimização da geração de conteúdo, cruzamento de informações e criação de tecnologias.



O superintendente da Receita Federal no Rio Grande do Sul, Paulo Renato Silva da Paz, lembra que o órgão tem avançado muito em mineração de dados, em inteligência artificial na área de identificação de fraudes, de seleção de contribuintes para fiscalização. "A capacidade de processamento de dados e de cruzamento de informações têm sido espantosa, mesmo para nós, habituados com essa realidade", destaca Paz. Sob a ótica dos contribuintes, em termos de pessoa física, o principal avanço recente é a declaração pré-preenchida de Imposto de Renda Pessoa Física, que facilita a elaboração da declaração pelo contribuinte e pelo contador. "Em um futuro breve, deveremos ter uma nova solução para a certificação digital, que irá facilitar o dia a dia das pessoas físicas no relacionamento do Fisco com o contribuinte." Quando o assunto é pessoa jurídica, o ambiente do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), com o conjunto de escriturações eletrônicas (NFe, ECD, EFD, NFSe, eSocial, entre outras), se constitui em uma referência mundial em termos de modernidade e uso da tecnologia.


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