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Presença estrangeira na Bolsa foi destaque em 2014

São Paulo - O fraco crescimento econômico do Brasil e as incertezas no cenário internacional refletiram nos ganhos do mercado acionário no Brasil em 2014. A BMF&Bovespa fechou o ano de 2014 com volume financeiro de R$ 1,80 trilhão, menor que os R$ 1,83 trilhão em 2013, e média diária de negócios de R$ 7,29 bilhões, também inferior aos R$ 7,41 bilhões registrados em 2013. No cenário de poucos negócios, a presença estrangeira foi destaque na Bolsa.





Dos 23 índices de ações da BM&FBovespa, a liderança ficou com BDRX, o Í;ndice de Brazilian Depositary Receipts (BDRs) não patrocinados — recibos de ações de empresas estrangeiras negociados na bolsa paulista — que fecharam o ano com valorização de 28,06%, a 2.882 pontos. O principal índice da Bolsa, o Ibovespa, fechou com performance negativa de 2,91%, a 50.007 pontos. A carteira do BDRX é composta por recibos de ações de gigantes multinacionais como Apple, Amazon, Coca Cola e Facebook, além de empresas como a Berkshire Hathaway, do milionário Warren Buffet, que se beneficiaram ao longo do ano passado do bom fluxo de negócios em Wall Street.



Na ponta contrária dos índices, o pior retorno ficou com o IMAT, o Í;ndice de Materiais Básicos, que fechou o ano com perda de rendimento de 31,62%, refletindo o impacto da redução do preço do minério de ferro, pois sua carteira é composta por mineradoras como a Vale.



O número de negócios na BM&FBovespa em 2014 somaram 228.100.922, contra 220.550.852 de 2013; e em média diária de negócios registrou 919.762, maior que 889.318 na mesma comparação, ambos os dados de 2014 considerados recordes históricos pela Bolsa.



O valor de mercado das 363 empresas com ações negociadas caiu 7% em 2014, para R$ 2,24 trilhões, ante R$ 2,41 trilhões em 2013, com 363 companhias de capital aberto nos dois anos.





Entre as ações com as maiores altas estavam Kroton ON (+63,76); Marfrig ON (+52,50%); GOL PN (+44,85%); Cetip ON (+41,02%) e Lojas Americanas PN (+38,08%). Na ponta oposta, as maiores baixas foram Oi PN (-76,02%); Rossi ON (-66,76%); Usiminas PNA (-64,46%); CSN (-60,06%); e PDG ON (-52,49%).





A participação dos investidores estrangeiros no segmento Bovespa em 2014 foi de 51,2%, acima dos 43,7% de 2013, seguidos por investidores institucionais, com 28,9%, ante 32,8% em 2013.





As pessoas físicas ficaram com fatia de 13,7%, abaixo dos 15,2% em 2013; instituições financeiras tiveram participação de 5,1%, ante 7,4%; e as empresas se mantiveram com 1%.





No mês de dezembro, os estrangeiros também lideraram a movimentação financeira, com participação de 53,7% na Bovespa, ante 52,4% em novembro.





O ano fechou com superávit de investimento estrangeiro na Bolsa, com R$ 20,34 bilhões, resultado de vendas de R$ 915,54 bilhões e de compras de ações de R$ 935,88 bilhões. Em dezembro, esse dado ficou negativo em R$ 2,22 bilhões na comparação com novembro.





A participação dos estrangeiros nas ofertas públicas de ações, incluindo IPOs, representa 38% do total de R$ 14,1 bilhões das operações realizadas com anúncios de encerramento publicados até 31 de dezembro de 2014.





Segundo Alvaro Bandeira, da Órama Investimentos, embora o ganho tenha sido significativo, o volume financeiro da Bolsa ainda é baixo e o segmento tem espaço para crescer. Ele avalia ainda que o fato de 2015 ser um ano se ajustes na economia não deve afastar o interesse dos estrangeiros. “Se o governo adotar as medidas necessárias para trazer de volta o crescimento e conquistar a credibilidade, os planos dos investidores de vir para o Brasil devem ser mantidos”, diz.





Bandeira também não descarta a possibilidade de os estrangeiros manterem suas posições no país. “O saldo do investimento estrangeiro foi muito melhor do que 2013 e isso pode se repetir este ano. A nossa bolsa está barata não só porque muitos papéis tiveram forte desvalorização, como Petrobras, Vale e siderúrgicas, mas também porque o dólar se valorizou". Bandeira não teme uma fuga de recursos para os EUA, quando o Federal Reserve (Fed) começar a subir os juros por lá. Acho que esse movimento deve acontecer mais para o inicio do segundo semestre e deve ser feito de forma muito gradual. Algo deve sair, mas não vejo uma saída em massa de recursos do pais”, avalia.





Volume da BM&F chega a R$ 73 trilhões





Em 2014, o segmento BM&F registrou 590 milhões de contratos negociados, ante a marca anterior de 705 milhões registrados em 2013. O volume financeiro alcançou R$ 73,21 trilhões em 2014, ante R$ 54,92 trilhões em 2013.





Em dezembro, os mercados do segmento BM&F totalizaram 48 milhões de contratos negociados e volume financeiro de R$ 4,01 trilhões, ante 42 milhões e giro de R$ 3,39 trilhões em novembro.



Em 2014, o futuro de juro (DI) atingiu a marca de 286 milhões de contratos negociados, ante 394 milhões de 2013. O dólar comercial futuro encerrou 2014 com 82 milhões de contratos, ante 83 milhões em 2013. . Também foram negociados 2,5 milhões de contratos futuros e de opções sobre commodities, ante 2,2 milhões em 2013.





O estoque de títulos do agronegócio registrados na BM&FBOVESPA totalizou R$ 112,41 bilhões, ante R$ 93,46 bilhões em 2013.



O volume de dólares negociados no mercado interbancário brasileiro e registrados para liquidação na Clearing de Câmbio BM&FBOVESPA foi de US$ 352,80 bilhões, com 29.421 negócios, ante US$ 533,66 bilhões e 34.633 negócios em 2013.



Texto confeccionado por: Alessandra Taraborelli


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