EMPRESAS “PERDEM” R$ 10 BI COM NOVAS REGRAS CONTÁBEIS

De 23 empresas do Ibovespa que divulgaram balanço pelas duas regras, 70% tiveram lucro contábil menor.

A entrada em vigor no País  de novas regras contábeis para os balaços fez com que as empresas listadas no índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) tiveram em 2008 um lucro menor do que teriam se usassem as regras antigas. Segundo levantamento da Agência  Estado, 70% das 23 companhias não financeiras do índice que divulgaram o resultado de 2008 com e sem os efeitos da lei 11.683 tiveram lucro contábil menor.

Somada, essa “perda”, somente  nessas empresas, chega a R$ 10,6 bilhões “Os dados não surpreendem. Na maioria dos balanços que eu tenho olhado, o lucro caiu. Algumas normas sempre irão reduzir o lucro e outras podem aumentá-lo ou diminuí-lo”, diz Tadeu Cendon, sócio da Price Waterhouse Coopers.

No geral, as empresas mais afetadas pela queda relativa no lucro no ano passado são as que possuem ativos no exterior. De acordo com Fernando Próspero, sócio da Ernst  & Young, os principais fatores que têm influenciado negativamente os balanços são a forma de se registrar a variação cambial de ativos no exterior, o reconhecimento de perdas por desvalorização de ativos (“impairment”), a marcação a mercado de instrumentos financeiros, a remuneração por meio de opções de ações e o arrendamento mercantil.

Em valores absolutos, Petrobrás e Vale foram as empresas que mais sofreram com a nova lei. Embora os ajustes na maioria dos casos não tenham efeito caixa, têm influência no lucro contábil, que é a base para a distribuição de dividendos aos acionistas.

Pela lei contábil antiga, a Petrobrás teria lucro líquido de R$ 33,915 bilhões em 2008. Pela nova, o lucro reportado foi de R$ 32,988 milhões. A receita líquida da estatal no ano passado pela lei antiga foi de R$ 232,183 bilhões, enquanto pela nova foi de R$ 215,118 bilhões. Ao mesmo tempo, o custo dos produtos vendidos saiu de R$ 157,499 bilhões para R$ 141,623 bilhões .

De acordo com a área de relações com investidores da Petrobrás, a diminuição na receita e nos custos é reflexo da mudança do critério de conversão das demonstrações contábeis de empresas no exterior. A lei antiga exigia que todas as linhas que compõem o resultado de unidades no exterior fossem convertidas pela taxa de câmbio do último dia do ano. Agora todas as linhas são calculadas mensalmente pela taxa de dólar de cada mês.

Ou seja, pela lei antiga, os resultados dos negócios da Petrobrás no exterior foram convertidos pela taxa de câmbio de 31 de dezembro, de R$ 2,34 por US$ 1. “De uma forma global, podemos dizer que pelas novas regras a receita e o custo do ano todo foram convertidos por uma taxa média do ano de 2009 (R$ 1,84 por US$ 1), que é 21% inferior à taxa do final do exercício usada na antiga lei”, informou a empresa.

NO caso da Vale, o impacto da nova lei foi ainda maior. O lucro líquido em 2008 foi de R$ 21,279 bilhões pela lei 11.638, resultado R$ 8,429 bilhões inferior ao apurado pela lei 6.404, de R$ 29,708 bilhões. A mineradora contabilizou, pela nova lei, uma baixa de R$ 2,447 bilhões pelo “impairment” de ativos intangíveis no Canadá. Além disso, a variação cambial aumentou o lucro contábil pela lei antiga em R$ 5,982 bilhões no ano passado.         

AS MAIORES ‘PERDAS’

Mudanças de regras afetam lucros (em milhares de reais)

Empresas

Como seria

Como ficou

Diferença

Vale

29.708.000

21.279.000

-8.429.000

Petrobrás

33.915.000

32.988.000

-927.000

Friboi

874.728

25.939

-848.789

AmBev

3.407.900

3.059.500

-348.400

ALL

230.300

185.000

-45.300

Telesp

2.464.000

2.420.000

-44.000

Gafisa

141.608

109.921

-31.687

Natura

542.200

518.100

-24.100

Pão de Açúcar

281.360

260.427

-20.933

TIM Par

200.450

180.152

-20.298

Texto confeccionado por: Cesar Bianconi

Fonte: Jornal Estado de São Paulo

 

 

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