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Temporada de baixas contábeis à vista

A crise econômica brasileira deve dar as caras em outras áreas do balanço que não apenas nas linhas de receitas, custos e despesas operacionais, como já vem ocorrendo nos últimos trimestres.





A percepção dos profissionais do setor é de que esta será a temporada do “impairment”. O termo em inglês indica que o valor recuperável de um ativo, seja pelo uso ou pela venda, está abaixo do custo registrado no balanço. E quando as empresas identificam essa discrepância entre a realidade e a contabilidade, é preciso fechar o vão.





Como avaliação de um ativo depende de sua atratividade no mercado ou de sua capacidade de gerar caixa ao longo do tempo, um cenário de vendas fracas, margens reduzidas e taxas de juros elevadas joga para baixo o valor presente de qualquer bem.





Apenas como referência, a Petrobras divulgou na sexta-­feira que 14% de suas reservas provadas não são economicamente viáveis nas condições atuais de preço de petróleo, o que nos cálculos do J. P. Morgan deve resultar numa baixa bilionária no valor dos ativos (ver mais em Queda das reservas pode levar Petrobras a não pagar dividendos).





Esse tipo de lançamento, contudo, não deve ser exclusividade do setor de petróleo. Empresas de mineração, siderurgia e também de incorporação imobiliária aparecem como candidatas a jogar para baixo o valor de seus ativos.





A perda por impairment deve penalizar o lucro exatamente das empresas que já não terão resultados operacionais positivos para mostrar. Elas vão ressaltar que não há efeito caixa decorrente do registro dessas despesas. E elas estão certas. O caixa foi desembolsado no passado e neste momento elas apenas vão reconhecer que o dinheiro foi mal gasto.





Outra perda sem efeito imediato no caixa, mas que pode representar desembolso futuro, será o ajuste do compromisso atuarial com aposentadoria e planos de saúde de funcionários. Se a taxa de juros maior reduz o passivo, investimentos mal-­sucedidos de fundos de pensão penalizam o ativo.





Embora as companhias abertas sejam obrigadas a prestar contas ao mercado a cada três meses, é no fechamento do ano que uma revisão completa dos números precisa ser feita. Tanto por quem prepara o balanço como por aqueles que o auditam.





Aliás, outra marca desta temporada de balanços estará nos pareceres de auditoria, já que alguns devem chamar atenção para problemas de liquidez das companhias e eventualmente até mesmo sobre a continuidade delas.


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