Impostos e burocracia são piores que a crise para micro
Arquivo75% das empresas fizeram investimentos em 2009
Nem a crise econômica tirou da carga tributária e da burocracia para conseguir crédito o título de maior obstáculo ao crescimento das micro e pequenas empresas. De acordo com pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-MG), 58% das empresas da indústria e 56% das que atuam em comércio e serviços foram afetadas pela crise.
Apesar da turbulência econômica, 47,4% das indústrias e 45,4% das empresas de comércio e serviços conseguiram aumentar o faturamento. O resultado seria melhor sem a crise, mas os empresários apontam outros vilões, como a dificuldade em obter capital de giro e os altos custos para manter a empresa, incluindo a carga tributária.
Mesmo em cenário de crise, 75% das empresas fizeram investimentos no ano passado. É o caso da proprietária do Pizza Sur, Beatriz Machado. Em 2009, a empresa abriu uma nova unidade, aumentou em 15% o faturamento dos dois restaurantes já existentes e conseguiu driblar a crise. Mas não escapou dos outros problemas.
"A carga tributária é muito alta e não vemos resultado", diz a empresária. Ela acrescenta ainda outro problema que não foi apontado pela pesquisa: a dificuldade em encontrar mão de obra qualificada. "Optamos por contratar sem experiência e treinar", diz.
Otimismo. As micro e pequenas empresas mineiras estão otimistas para 2010. Os entrevistados disseram que devem aumentar o faturamento, mantendo os preços dos produtos e serviços estáveis. A alta viria do maior número de pessoas consumindo, em função do bom momento econômico.
O levantamento mostra que o empresariado acredita em um horizonte favorável também para 2011. A esperança é que o presidente eleito este ano conceda benefícios tributários e facilite a obtenção de crédito para investimento e capital de giro.
8 milhões de carros em tributos
Os brasileiros desembolsaram até ontem, mais de R$ 200 bilhões em tributos, revela projeção feita pelo Impostômetro da Associação do Comércio de São Paulo (ACSP).
De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), também responsável pelo Impostômetro, a marca foi atingida sete dias antes, na comparação com o ano passado.
O valor arrecadado em tributos pode ser consultado, em tempo real, no site www.impostometro.com.br. O portal indica os valores somados aos cofres públicos por mais de 60 tributos diretos (sobre a renda) ou indiretos (sobre o consumo).
Fortuna
Com os mais R$ 200 bilhões arrecadados até ontem, é possível cumprir em quase dez vezes a meta do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida de construir um milhão de casas populares. Também é possível pagar mais de 485,4 milhões de salários mínimos ou fornecer mais de 1,666 bilhão de Bolsas Família.
Além disso, seria possível comprar 1 bilhão de cestas básicas ou construir mais de 16,666 milhões de salas de aula equipadas ou ainda comprar mais de 2 milhões de ambulâncias.
O valor de tributos arrecadados poderia ser usado também para construir mais de 200 mil quilômetros de estradas asfaltadas ou ainda 2,5 milhões de quilômetros de redes de esgoto.
O dinheiro ainda permite comprar 8 milhões de carros populares, 80 milhões de TVs de plasma e 200 milhões de geladeiras simples. Além disso, o montante paga durante 30 meses a conta de luz de todos os brasileiros.
Confisco
Os brasileiros desembolsaram, até ontem, mais de R$ 200 bilhões em tributos pagos aos governos federal, estaduais e municipais.
Ana Paula Pedrosa
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