Empresários vão a Meirelles pedir a manutenção do juro

SÃO PAULO - Alguns dos maiores empresários do País vão pedir ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em reunião que acontece hoje, para que a autoridade monetária não aumente a taxa básica de juros (Selic). Os membros do Conselho Superior Estratégico da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) reuniram-se ontem para discutir questões do mercado. Segundo o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, a maior discussão foi sobre taxa Selic, em que não veem motivos para a elevação.

"É um verdadeiro absurdo aumentar juros neste momento. As importações do Brasil vão crescer, o superávit vai reduzir porque o mundo ainda está recuperando", afirmou Skaf. "Além disso, as indústrias brasileiras têm conforto de capacidade instalada, pois o nível de produção ainda é inferior ao patamar registrado em setembro de 2008. Sendo que no ano passado os investimentos cresceram 5% a 6% e agora deve subir de 15% a 20%. Precisamos é de demanda", acrescentou.

Todos os membros do Conselho acreditam que não é o momento de subir os juros, já que poderia prejudicar o crescimento e geração de emprego. A presidente da Magazine Luiza, Luiza Trajano, em rápida manifestação, disse não acreditar que a Selic deva se alterar. Estavam presentes também, representantes e presidentes de empresas como a Fiat, Suzano, Grupo Gerdau, Marcopolo, Votarantim, Odebrecht, Usiminias, Bunge, Vale, AmBev, entre outras, mas nenhum dos empresários quis falar com a imprensa.

De fato a maioria do mercado projeta uma elevação de 0,5 ponto percentual da Selic, passando de 8,75%, atualmente, a 9,25%. Os economistas do banco Itaú Unibanco preveem um aumento já na próxima reunião, que acontece na semana que vem, devendo terminar o ano, a 11,50%. De acordo com relatório Focus, divulgado pelo BC na última segunda-feira, o mercado espera que o Copom deve alterar a taxa somente na reunião de abril e que encerre 2010 a 11,25%.

Paulo Skaf afirma que o setor industrial tem capacidade para atender ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), cuja previsão é de 5% a 6% neste ano, e que não há pressão de custo nas diferentes cadeias produtivas ou pressões inflacionárias. "Não há inflação de consumo, não há risco inflacionários e as previsões estão dentro do centro da meta (4,5%)", argumentou.

A Fiesp estima que o volume de máquinas e equipamentos instalados na economia para utilização na atividade produtiva cresceu 5,3% em 2009. Segundo a entidade, desde a crise, a indústria ainda não recuperou 266 mil empregos do total de demissões.

"É da natureza da atividade empresarial ajustar-se às necessidades do mercado e ao atendimento da demanda. O Brasil não pode desperdiçar essa oportunidade de crescimento que esperamos há algumas décadas", comentou ele.

O presidente da Fiesp deve se reunir hoje com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. "Vou tentar sensibilizá-lo para o fato de que não há necessidade de aumento de juros. Nós precisamos é de demanda e a elevação dos juros provoca despesas para o setor produtivo e também para as contas públicas, pois nos últimos 12 meses o governo gastou cerca de R$ 165 bilhões no pagamento de juros", explicou.

Retaliação aos EUA

Paulo Skaf afirmou também que foi discutida no encontro a questão da retaliação aos Estados Unidos. "A posição da Fiesp é de apoio total à postura do governo brasileiro, que está sendo firme e correto, porque o governo norte-americano tem de dar o exemplo." Entretanto, Skaf lembrou que a Fiesp apresentou recentemente ao embaixador americano no Brasil, Thomas Shannon, propostas para solucionar a disputa. Entre elas está a criação de um fundo com recursos do Tesouro americano para apoiar a cotonicultura brasileira. O fundo, com recurso de US$ 100 milhões. Mas que em 2012 haja redução de subsídios ao algodão.

"Se houver disposição, estamos prontos a discutir com o governo brasileiro soluções para que se evite retaliações, já que isso não dá prazer a ninguém."

Uma das críticas é de que sobretaxa que o Brasil pode aplicar à importação do trigo americano deve aumentar o custo de produtos populares, como o caso do pão. O presidente do Moinho Pacífico, Lawrence Pih, comentou que não acredita que a retaliação deve prejudicar o setor, já que há outros mercados que podem ser importar ao Brasil. "Mas se os Estados Unidos apresentarem compensações, o Brasil deve aceitar", disse, também ontem, ao participar da reunião da Fiesp.

Política

Questionado, o presidente da Fiesp disse ser possível deixar o cargo a partir de maio para se candidatar a governador de São Paulo, nas eleições em 2010, pelo PSB. Mas a definição oficial depende do partido, segundo Skaf, que poderá ser dada em um mês. Dessa forma, a presidência da Fiesp ficará nas mãos do primeiro vice-presidente da entidade, Benjamin Steinbruch.

Fernanda Bompan


 

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